Maria e a Ressureição

Maria e a Ressureição

Neste tempo de graça que estamos vivendo, a quaresma propõe um caminho a ser percorrido; a estrada da escravidão à liberdade, do sofrimento à alegria, da morte à vida. Queremos também nós fazer ecoar este apelo; queremos voltar ao coração misericordioso do Pai, como apresentou o Papa Francisco em sua mensagem para o tempo quaresmal deste ano.

No capítulo primeiro do Evangelho de Lucas versículo 26 e seguintes tem-se a narração da anunciação do anjo Gabriel à Virgem Maria. A criatura celestial, enviada pelo Senhor, anuncia a maternidade à Maria; no evangelho de João (Jo19,27), no entanto, é Cristo quem confere o dom da maternidade à sua mãe, tornando-a mãe de João e nossa também.

Em Maria encontramos um modo de conciliar o sofrimento da cruz de seu filho Jesus e a esperança do advento da Ressureição. Quando ficou grávida, Maria presenciou a antecipação do céu em seu ser, bem como o sofrimento humano, pois a lei judaica amparava José, seu esposo, a desposá-la e esta, por sua vez, seria subjugada às penas recorrentes daquela época. Não obstante o abandono em segredo, o ato seguinte de Maria foi o discipulado, pois partiu em direção à casa de sua prima, o lar de Isabel, para servir em tudo o que esta precisasse. A mãe de Jesus se encontrava grávida, solteira e apenas com uma informação: era a mãe de uma criança que seria o Salvador. Dessa forma, a mãe do Salvador, durante sua trajetória existencial, viveu com fé acreditando em uma promessa que fora dita por parte de Deus.

 Nesse sentido, nosso pai fundador, padre Dehon, no diretório espiritual, diz que “pelo Ecce Ancilla, pelo seu consentimento, Maria aceitou ser a mãe do Redentor. Aceitou a honra e a dignidade desta maternidade, mas também os sofrimentos, os sacrifícios inerentes”(cf. p. 65). A tradução do Ecce Ancilla em Maria foi de uma vida de entrega completa de si mesma. Entrega que culminou no Calvário. É possível aprender de Maria que não basta carregar a cruz exterior e forçadamente; é preciso abraçá-la com amor, com coragem e com alegria. Desejar a cruz com ardor, como o maior e mais seguro tesouro. (cf. p. 70).

Supostamente, as incompreensões que Maria ouvira em relação à missão do seu filho Jesus não tiveram força para fazê-la desistir de nenhum de seus objetivos, ao contrário. Maria soube integrar o sofrimento à Cruz de Cristo. Assim sendo, Deus impulsionou a mãe do Redentor a prosseguir, assegurando que esta contemplaria, no momento oportuno, o mistério da Ressureição.

Desejosos somos de ressuscitar com Cristo a cada instante e mesmo nas circunstâncias mais dolorosas de nossas vidas. Que Maria, assim, interceda por nós, Dehonianos, para que prossigamos na cultura do encontro, promovendo a Verdade do Evangelho e obtendo um dos frutos que a fé no ressuscitado nos confere, a saber, a alegria de sermos irmãos.

 

Santa e fecunda Semana Santa do Senhor!

 

Fr. Rodrigo Bento, scj.

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