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03.Nov - Quando crescer, quero ser cristão!
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Quando crescer, quero ser cristão!

Certa vez, ao visitar uma escola para conversar com uma turma sobre o significado da vida e propor algumas perguntas, fui surpreendido por uma resposta. Aparentemente, a resposta para alguns não fazia sentido, mas para mim foi a melhor resposta. Então fiz o questionamento, mas pedi que não respondessem, se não quisessem. Mas logo em seguida, alguns livremente responderam. A pergunta foi: o que você quer ser quando crescer? É muito simples a pergunta, mas a resposta não. Você até poderia responder que quer ser grande, óbvio! Mas não é em respostas como essa que encontramos o sentido da vida. Algumas das respostas que ouvi foram: médico, professor, policial, engenheiro, operário, advogado, dentista, trabalhador... Mas ouvi uma resposta que fez muitos rirem. Um aluno respondeu que queria ser cristão. Achei ótima a resposta e continuei, em seguida, a conversa. Mas você não é cristão? – Sim, eu sou, fui batizado. Entendo que crescendo, sendo um bom cristão, eu conseguirei escolher qualquer caminho.


Algum tempo depois, sozinho, inspirado em Maria, que guardava tudo no seu coração, percebi que a resposta fazia todo sentido, pois atualmente é exigente ser cristão. Compreendi, que muito poucas vezes, ao longo do dia, sou cristão de verdade. Inspirado nas palavras de Jesus, comecei a me perguntar: Como ser cristão e amar os inimigos e ainda rezar por aqueles que falam mal de você? como dar a outra face? como levantar da mesa para servir os outros? como acolher os estrangeiros? como tirar tempo para rezar? como fazer o bem sem que a mão direita não saiba? como elogiar alguém sem esperar a reciprocidade? como cuidar de alguém no hospital, durante a noite e, no outro dia, não faltar ao trabalho? como trabalhar durante o dia, estudar à noite, e ainda, no fim da semana participar de algum grupo de pastoral? como reconhecer que sou pecador e necessito de reconciliação com Deus, com quem me ofendeu e muitas vezes comigo mesmo? como ler e meditar a bíblia todos os dias? como manter a devoção mariana e a amizade com os santos? como não atirar pedras em irmãos ou irmãs que erraram e buscam outra chance? como dar carona, na estrada, para alguém a pé e machucado? como viver com sobriedade, sem gastar exageradamente alimentos, água, energia elétrica e roupas? como ser dono do dinheiro e não ser empregado dele? como ter a humildade de repartir o pouco que tenho? como dedicar tempo para apreender algo novo para servir e não dominar? como relacionar-me com as pessoas, com olhos atentos ao que elas querem dizer? como aproveitar as oportunidades de ser gentil? como ser honesto nas situações do dia a dia e viver a verdade de uma amizade? como alimentar o coração e a mente de valores com o que surfamos na internet ou assistimos na televisão? Compreendendo melhor agora a resposta do aluno, pude entender que, para exercer uma profissão e viver uma vocação, preciso, todos os dias, crescer nos valores cristãos.


O ideal de vida cristã não é para os fracos nem para os fortes, e sim, para os mansos e humildes de coração. Um coração humilde é aberto à vontade de Deus. Deus chama a cada um para servir e ser feliz ou ser feliz e servir, como você preferir.


Tenho observado que a Igreja católica, mesmo com inúmeras dificuldades e crises, tem ajudado muitos seres humanos a viverem como cristãos em processo de conversão contínua. Eu e você, antes de tudo, vivemos a fraternidade como cristãos e isso torna-me responsável pela sua vocação e pela sua realização. Quando eu procuro respeitar e rezar pela vocação do outro, eu cuido automaticamente para que ele e eu permaneçamos fiéis à vocação escolhida. O contrário também acontece: quando eu não valorizo o padre, a irmã, o bispo, os casais, os jovens, as lideranças pastorais, eu contribuo para a divisão e o medo. As vocações são enfraquecidas e o cristão torna-se tristão.


Percebendo isso, o papa Francisco escreveu, no início do seu serviço em Roma, um texto que se chama a “A Alegria do Evangelho”; ele trouxe, para o centro de toda a sua missão, o dom da alegria. Isso é o que todos temos observado até agora. Um tempo depois, ele propôs um estudo sobre a realidade da família; dessa conversa, surgiu outro texto que, para acompanhar o raciocínio, chama-se “A Alegria do Amor”. Desde o ano passado, uma equipe de estudos, a pedido do papa, prepara uma nova reunião que se chama Sínodo, como o tema: “Os jovens e o discernimento vocacional”. Esse encontro acontecerá ano que vem, em Roma. Muitas pessoas responsáveis e capacitadas estão preparando esse Sínodo. Após essa reunião, a Igreja entrega outro texto para cada cristão, especialmente para os jovens. O que, então, significa tudo isso? Será que está faltando alegria em nossas relações com Deus, com os outros e com nós mesmos?


Ao ler o material preparatório para o Sínodo, eu encontrei esta dúvida. “O aumento da incerteza reflete-se sobre a condição de vulnerabilidade, mal estar social e aumento de insegurança de amplas camadas da população. Especialmente entre os jovens multiplicam-se várias formas de tristeza, solidão, desorientação e relativismo.” Gostaria de que você, junto comigo, aproveitássemos esse tempo de preparação para o sínodo, e rezássemos mais pelos jovens, pelas vocações, pelas famílias e pela Igreja. Unidos em oração, o dom da alegria, fruto do Espírito Santo, iluminará os nossos passos no seguimento de Cristo. Ele nos ensinou que o mesmo Espírito de Deus age no coração de cada homem e de cada mulher, através de sentimentos e de desejos que se vinculam a ideias, imagens e projetos. O Espírito de Deus ainda faz o coração humano dividido pelo pecado, coração restaurado e preparado para decidir “que quando crescer, quer ser cristão.”



P. Jairson Hellmann, scj


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