Dehonianos
Artigos
15.Set - Venham todos à minha escola
Aumentar Fonte +
Diminuir Fonte -
Venham todos à minha escola



Hoje quero conversar com vocês sobre uma passagem muito linda e consoladora do Evangelho. Vamos abrir o Evangelho escrito por Mateus (11,25ss). Mateus já havia nos contado que Jesus percorria as cidades e aldeias. Uma grande multidão o seguia e escutava com alegria a sua mensagem porque Ele era diferente e trazia uma nova esperança. E Mateus nos diz que Jesus, vendo a multidão, ficou tomado de compaixão porque estavam enfraquecidos e abatidos como ovelhas sem pastor (Mt 9,36).



O Povo ficou entusiasmado com o novo pregador porque ele não ameaçava, não condenava. Falava de um novo Reino. Dizia que Deus Pai o havia enviado para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, para pôr em liberdade os prisioneiros, para publicar o ano da graça do Senhor.



Surgia uma nova esperança no coração de todos. A grande maioria das pessoas não sabia ler e não tinha ninguém que se interessasse por ela, para ensinar-lhe o caminho de Deus. Os mestres da Lei oprimiam o povo e diziam que aquela gente toda estava perdida. Além dos dez mandamentos (que nós já temos dificuldade para decorar), eles conseguiram criar outros 613 mandamentos. Eram 248 prescrições e 365 proibições, coisas que não se devia fazer. Não sou entendido em anatomia, mas eles diziam que 248 era o número dos ossos do corpo humano e 365 os dias do ano. Então estes mandamentos deviam ajudar as pessoas amar a Deus com todo o seu ser e durante todos os dias do ano.



Todos estes mandamentos tinham o mesmo peso, desde o mandamento de amar a Deus sobre todas as coisas até a maneira de lavar as mãos e os copos. Nenhum deles poderia ser transgredido sob pena de condenação. Vocês já imaginaram a dificuldade de um analfabeto para decorar 613 mandamentos. Por isso, Mateus nos dizia que Jesus teve compaixão deste povo que andava enfraquecido, desanimado, abatido como ovelhas sem pastor.



E quando aparece alguém que prega de maneira diferente, que os acolhe e começa a prometer solução para seus problemas e sofrimentos, todos correm atrás dele. Começaram a perceber que o novo mestre se interessava por eles, se preocupava com seus problemas e estava sempre disposto a ajudá-los. Tudo o que era importante para aquele povo era também importante para Jesus.



E um dia Jesus falava do seu Pai e dizia que tinha vindo para contar a todos como era seu Pai. Falava que o Pai era muito bom e o havia encarregado de revelar o seu rosto amigo aos simples e humildes. Dizia a todos que o Pai os amava e que ele (Jesus) tinha vindo para trazer uma nova esperança a todos e a certeza de que Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade. Havia salvação também para aqueles que não sabiam ler e não conseguiam decorar todos aqueles mandamentos que os seus mestres haviam inventado.



Falou ainda que fora enviado para livrar a todos dos pesados fardos que os chefes haviam posto nos seus ombros. E dizia: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos e sob o peso do fardo, e eu vos aliviarei. Tomai o meu jugo sobre vós e entrai na minha escola, porque eu sou manso e humilde de coração, e achareis repouso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e meu peso leve”. Depois tirou o pesado fardo dos ombros destes pequeninos do Povo de Israel. Podemos imaginar Jesus falando assim: “Vocês não precisam mais ficar preocupados em decorar todos estes mandamentos. Nós vamos fazer um resuminho bem fácil de aprender. Lembrem-se apenas destes de dois mandamentos. Primeiro: ‘Amar a Deus sobre todas as coisas’. Segundo: ‘Amar o próximo como a si mesmo’. Isto basta. Quem observa estas duas coisas, não precisa mais de mandamentos”.



O convite para entrar na sua escolinha não era tanto porque ele estava ensinando a verdade e os mandamentos que todos deviam seguir. “Entrem na minha escola porque eu sou bom, sou manso e humilde de coração”. Todos são convidados a entrar na escolinha de Jesus porque Ele é bom, tem um Coração para os que sofrem, para os que precisam de um Pastor para guiá-los, de um Mestre para orientá-los. Todos nós somos convidados a entrar na escola de Jesus. Através de suas palavras e ações descobriremos a bondade, a misericórdia, a compaixão e a ternura. Jesus vê (é alguém que enxerga os outros), sente com o coração e ama. Os evangelistas querem mostrar que Jesus tem um coração para nós. Sempre vão repetindo: Ele teve compaixão e fez isto, teve compaixão e fez aquilo...



Em Marcos 6,34 nós lemos que Jesus teve compaixão e pôs-se a ensinar-lhes muitas coisas. Talvez a tradução mais exata desta passagem seja: “Pôs-se a ensiná-los com muita paciência”. Jesus foi muito respeitoso com a situação deles e com a dificuldade que tinham para aprender.



Mateus (15) escreve que Ele teve compaixão e multiplicou o pão para o povo faminto. Lucas (15) anota no seu Evangelho que ao ver o filho que retornava, o coração do pai se enternece e ele é tomado de compaixão. Corre ao encontro do filho o abraça e beija. Em seguida manda fazer uma grande festa. Tenta convencer o filho mais velho de que era absolutamente necessário fazer festa pelo retorno filho menor e pecador.



O sofrimento dos doentes atingia o seu Coração e Jesus curava a todos. Também aqui, Mateus anota no seu Evangelho que Jesus é tomado de compaixão (Mt 20, 30-34). Tocado pela dor de uma mãe que perdera seu único filho, manda parar o cortejo fúnebre de Naím, e devolve o jovem à sua mãe (Lc 7, 12-16). Chora junto ao túmulo do amigo e ressuscita Lázaro (Jo 11,35).



Jesus sempre nos espera de coração aberto: “Vinde a mim todos...”. Ele tem um coração aberto para todos os que encontra em seu caminho. E isto se manifesta de modo definitivo na sua doação final, na sua morte por nós.



Parece-me que aí está o nosso desafio para o dia a dia de nossa vida. Parece ser o caminho para aqueles que desejam jogar toda a sua vida numa espiritualidade do Coração, para os que ainda acreditam no amor de Deus e na bondade de seus irmãos e irmãs. Somos convidados a sentir as necessidades, os sofrimentos e as alegrias dos outros como nossas, a ir ao encontro de todos, sem medo dos riscos e sem receio de jogar tudo. Se quisermos ser devotos do Coração de Jesus não podemos jogar pela metade nem calcular demais as medidas de nosso amor.



P. Francisco Sehnem, scj


 


Indique a um amigo
 

Copyright © 2019 Dehonianos. Todos os direitos reservados.