Histórico

Os primeiros anos

Em meados de julho de 1903, desembarcaram na ilha do Desterro, hoje Florianópolis, os dois primeiros religiosos dehonianos, procedentes da Alemanha: Padres Gabriel Jacó Lux (1869 – 1943) e José Fidelis Foxius (1874 – 1931). Assumiram, de início, a igreja de São Francisco e a escola paroquial, além de ajudar na igreja matriz, cujo pároco era Pe. Francisco Xavier Fopp. Essa atividade pastoral constituía, no entanto, um trabalho provisório, porquanto o objetivo da missão era a assistência espiritual às colônias alemãs.
Aos 20 de janeiro de 1904, vieram mais três missionários: Padres Henrique Meller, João Stolte e Irmão Rafael Küppers.
Por decreto de 4 de 1904, Dom Duarte Leopoldo e Silva, bispo da Diocese de Curitiba (que, então, abrangia os Estados do Paraná e de Santa Catarina), confiou à Congregação as paróquias de São Luiz Gonzaga, em Brusque, e do Puríssimo Coração de Maria, em São Bento do Sul. Ainda em 31 de Dezembro do mesmo ano, chegaram da Alemanha os Padres Henrique Lindgens, Francisco Schüler e Antônio Wollmeier. Dom Duarte, por ocasião de sua visita pastoral a Brusque, nomeou Pe. Gabriel Lux fabriqueiro-administrador episcopal do Santuário Nossa Senhora do Caravaggio e do hospital anexo; Pe. Lux pode ser considerado o “benfeitor número um” de Azambuja.

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Visita do Fundador

Em 1906, a missão recebeu a visita oficial do Padre Dehon, fundador da Congregação SCJ. Esteve ele em São Bento do Sul e Brusque. Ficou entusiasmado e esperançoso com os rumos da missão no sul do Brasil, trazendo novo alento e novas forças aos missionários.

Expansão

Com a chegada de mais dehonianos, foram assumidas novas paróquias em Santa Catarina. Entre elas: Itajaí (1905 – 1918), Trindade, em Florianópolis (1909 – 1918), Jaraguá do Sul (1912), Tubarão (1912 – 1954), Botuverá (1912), Joinville (1917), Vargem do Cedro (1921) e a quase-paróquia de Corupá (1928).

Na década de 20, abriram-se novos horizontes. Já em 1920, os dehonianos assumem a direção dos seminários maior e menor da Diocese de Taubaté (SP), começando um longo e frutuoso trabalho no Vale do Paraíba, sobretudo na formação de futuros presbíteros. Chegaram, logo depois, a Varginha, Formiga, Lavras, Campanha. Em 1933, foi confiada aos dehonianos a paróquia de Vila Maria, em São Paulo.

Preocupado com as vocações religiosas e sacerdotais, Pe. Germano Brand funda, em 1924, um seminário menor, em Brusque, que em 1932, foi transferido para Corupá. Desde que começou a funcionar, estudaram no Seminário Sagrado Coração de Jesus, em Corupá, mais de 3.600 alunos.

A casa de Brusque foi transformada em noviciado e, desde 1933, vem acolhendo os estudantes de Filosofia. Esse escolasticado tornou-se o germe da atual Faculdade de Filosofia. De Brusque, transferiu-se em 1956, o noviciado para a Barra do Rio Cerro, em Jaraguá do Sul.

Os dehonianos adquiriram, em 1923, uma chácara em Taubaté, onde se construiu um sobrado, que foi o primeiro escolasticado, também o primeiro noviciado (1928). Esse escolasticado foi o marco inicial do Instituto Teológico e da Faculdade Dehoniana. Durante esses anos, o Instituto Teológico formou para a Igreja do Brasil 383 padres dehonianos e 285 diocesanos e de outros institutos religiosos.

Criação da Província

Em 25 de abril de 1934, erigiu-se a Província Brasileira Meridional da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Pe. Pedro Storms foi o primeiro superior provincial.

Paróquias

Cresceu muito a atividade paroquial, alargando os horizontes da Província até os Estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná, aumentando, ao mesmo tempo, a sua presença nos Estados em que já atuava.
No Rio de Janeiro: Bom Jesus da Penha (1938), Parada de Lucas (1939 –1989), Sagrado Coração de Jesus, no Méier (1945).
No Rio Grande do Sul: Boa Vista do Buricá (1940), Crissiumal (1943), Nova Candelária (1963) e Tuparendi (1963).
No Paraná: Paróquia (depois Santuário) Santa Rita de Cássia, na Vila Hauer, Curitiba (1960), Cianorte (1969 – 1989), Terra Boa (1965), Jussara (1967).
Em São Paulo: Santuário São Judá Tadeu, no Jabaquara (1940).
Em Santa Catarina: Rio Negrinho (1944), Vidal Ramos (1951), Capelania de Nereu Ramos (1962), São Martinho (1965) e Presidente Nereu (1966 – 1995).
Em Minas Gerais: Nossa Senhora do Rosário, Varginha (1960) e Nossa Senhora Auxiliadora, em Lavras (1968 – 1998).
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Seminários

Com o aumento do número de candidatos à vida religiosa e sacerdotal, fez-se necessário construir novas escolas apostólicas e ampliar as já existentes. Em 1944, começou a funcionar a Escola Apostólica Dehonista, em Lavras; em 1946, a Escola Apostólica São Miguel, em Crissiumal e a Escola Apostólica São José de Rio Negrinho, em Rio Negrinho. O novo prédio do noviciado, em Jaraguá do Sul, acolhia, em 1956, a primeira turma de noviços. O Instituto Dehonista (Seminário de Ensino Médio), em Curitiba, foi inaugurado em 1972.

Outras Atividades

Em 1938, foi fundada, em Taubaté, a Editora SCJ, que publicou muitos livros na área da formação da juventude. E, em 1946, veio a lume o primeiro número da revista “Reparação”, que, durante 22 anos, foi o órgão do Apostolado da Reparação.
A partir de 1967, começou a atuar no mundo das comunicações Pe. José Fernandes de Oliveira (Padre Zezinho). Sua contribuição na evangelização e promoção vocacional continua sendo muito significativa.
No campo da educação da juventude, a Província assumiu a direção do Colégio Nossa Senhora Aparecida, em Lavras (1942 – 1985). Em 1947, começaram as atividades do Ginásio Sagrado Coração de Jesus, denominado depois Colégio Dehon. Esse estabelecimento de ensino deu esmerada educação à juventude catarinense até 1972, quando foi vendido à Fundação de Ensino Superior de Santa Catarina.
Em Brusque, fundou-se, em 1951, a Escola Técnica São Luís, que por volta de 1968, foi incorporada ao Colégio São Luís, de propriedade das Irmãs da Divina Providência, que, por sua vez, foi adquirido, em 1973, pela Congregação SCJ. Com 1.100 alunos, 69 professores e 31 funcionários, o Colégio São Luís recebe alunos de cinco municípios vizinhos. É um dos mais bem conceituados colégios da região.
A formação humana é um dos objetivos da Congregação SCJ. Em seus 100 anos de presença no Sul do Brasil, os dehonianos procuraram, na medida do possível, atingir esse objetivo.

O Instituto Meninos de São Judas Tadeu – Antigo Orfanato São Judas Tadeu foi fundado, em 1950, pelos padres João Büscher e Gregório Westrupp, no bairro Jabaquara, em São Paulo. Atualmente, a casa abriga 120 meninos e adolescentes, com idade entre 6 e 15 anos. Como extensão desse trabalho, o Instituto abriu, em 1973, a Creche Padre Gregório Westrupp, que recebe crianças cujas mães precisam trabalhar e não têm onde deixar os filhos. Além disso, desde 1988, a Instituição mantém a Casa do Povo para idosos desamparados.
Sensível aos problemas sociais causados pelas drogas e pelo álcool em jovens e adultos, Pe. Israel Batista de Carvalho fundou, em 1984, a AREST (Associação de Recuperação pelo Estudo, Saúde e Trabalho), que funciona na Fazenda Bom Jesus, em Lavras. Nesse quase 20 anos de atuação, já passaram mais de duas mil pessoas pela fazenda. Respondendo às necessidades de nosso tempo, Pe. Léo Tarcísio Pereira também começou obra semelhante; em São João Batista (SC). Bethânia chama-se o recanto onde se acolhem as vítimas do álcool, da drogas. Começou a funcionar, na Páscoa de 1996.

Região do Maranhão (MAR)

A missão no Maranhão foi aceita por insistência da Nunciatura Apostólica. A Província aceitou três paróquias no Maranhão: Monção, Pindaré-mirim e Santa Inês. Ao longo desses 35 anos, outras paróquias foram assumidas.
Em 18 de novembro de 1991, criou-se a Região do Maranhão, que hoje atua em sete paróquias, possui vinte membros e duas casas de formação: o Centro Vocacional Dehoniano, em São Luís, para os seminaristas propedêutas e a Casa Sagrado Coração de Jesus, para os da Filosofia.
As paróquias do Maranhão são muito extensas, como, por exemplo, a paróquia de Santa Luzia que tem 170 comunidades.

Conferência Provincial de 1969

Constituiu um marco na história da Província. Seus frutos são: a criação da Conferência Provincial (órgão de consulta permanente), a divisão da Província em comunidades regionais (hoje denominadas setores), a revisão da formação religiosa e sacerdotal. Entre as suas importantes decisões, podemos enumerar: a permanência do curso de Filosofia em Brusque e do Instituto Teológico em Taubaté.
Na área da formação, ocorreu a separação do 1º e 2º graus; a regionalização do 2º grau, com os seminaristas assistindo às aulas nas escolas da respectiva cidade; construção da Escola Apostólica São Judas Tadeu, em Terra Boa (PR); criação do curso propedêutico em Rio Negrinho; o tempo de tirocínio após o curso filosófico.

Atividade Missionária
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Em janeiro de 1984, partiram, em missão além-fronteiras, para o então Zaire (hoje Congo), na África, os quatro primeiros missionários.
Os Padres Aloísio Back (em 1991) e José Benedito de Moraes Machado (em 1994) foram às Filipinas, para se integrar ao grupo missionário internacional.
Em abril de 1998, partiu para a missão na Índia Pe. Sebastião Pitz.
A Província continuou também a atuar no campo da missão dentro do próprio País: a BM enviou, em 1983 os primeiros religiosos à diocese de Sinop, Mato Grosso. A presença dehoniana firmou-se naquela região e, hoje, faz-se presente em sete paróquias.

Em 1991, começou a Missão Dehoniana Juvenil (MDJ) em Mondai (SC), com a participação de 54 missionários. A MDJ é um projeto de evangelização que tem por escopo oferecer ao jovem (moço e moça) um espaço para crescer na fé, viver o carisma dehoniano e colaborar na obra da evangelização. Nesses 12 anos, várias paróquias tiveram a presença da MDJ.

Leigos Dehonianos

A participação dos leigos no Projeto Carisma Dehoniano é de caráter fundacional – afirmava a Conferência Geral de Brusque (1988). A Província BM se colocou em sintonia com as propostas do Conselho Geral.

Os primeiros grupos datam de 1988. Começou-se a reunir em grupo de ex-seminaristas para fazer com eles retiros espirituais. A primeira reunião da equipe de animação ocorreu em março de 1989, em São Paulo. Contamos, hoje, com diversos grupos de leigos dehonianos. Continua, porém, o desafio de fazer o leigo participar da vida dehoniana junto com os religiosos e de compreender o valor que isso pode trazer à vida consagrada e ao apostolado.

Leigos-dehonianos
Pastoral da Comunicação

Nos últimos anos, a atuação da Província nos meios de comunicação cresceu significativamente. Pela produção de vários padres comunicadores, o carisma de Padre Dehon e a mensagem do Evangelho são levados a milhares de pessoas por meio de livros, discos, programas de rádio e televisão.

Em 1996, veio a lume o primeiro número da revista Ir ao Povo, que está tendo ótima acolhida junto aos numerosos leitores, até dezembor de 2008.. (Importante observar que os dehonianos já haviam publicado, no Sul do Brasil, duas revistas: Der Wegweiser de 1929 e Reparação, cujo primeiro número é de 1946.)

A Província criou, no ano de 1997, em São Paulo, um estúdio de gravação de programas de TV, videocassetes etc. Denomina-se CENTRO DEHONIANO DE COMUNICAÇÃO (CDC-VÍDEOS).

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Região Brasileira Meridional

Na década de 80, começou a surgir na Província certa inquietação em relação à sua estrutura e ao seu funcionamento: dificuldade de governar e animar Província tão extensa e tão numerosa. Daí, o desejo de criar nova Província. Realizaram estudos, pesquisas entre os religiosos, debates em assembléias e capítulos, pertinentes à questão. No Capítulo Provincial Extraordinário de julho de 1993, votou-se pela criação de uma nova Província; como não houvesse, porém, os 2/3 dos votos exigidos, os capitulares optaram por duas Regiões: uma que englobaria o território do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e da Grande Curitiba; a outra que compreenderia o território de Minas Gerais. Mas o Governo Geral aprovou a criação de uma só Região: a RBM, que foi ereta, oficialmente, aos 12 de outubro de 1994.
Em 2003 a região foi desmembrada e tornou-se Província.