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24.Fev - Encontro dos Ex-Seminaristas SCJ
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Encontro dos Ex-Seminaristas SCJ

 


Aconteceu no último dia 23 de fevereiro de 2020, no Seminário Sagrado Coração de Jesus, Corupá, o encontro anual dos ex-seminaristas dehonianos. Iniciou as 10h com Santa Missa presidida pelo Pe. Osnildo Carlos Klann, vigário paroquial da Paróquia São Sebastião de Jaraguá do Sul. Compareceram aproximadamente 90 ex-seminarista dos mais diversos locais. 


 


NOSSO ENCONTRO


Meus irmãos, mais uma vez estamos aqui. É muito bom voltar a Corupá!


A vida é uma sucessão de embarques e desembarques, mudanças de rumo e de estações, uma grande viagem. Depois que desembarcamos da viagem pelas casas do Sagrado Coração de Jesus, décadas se passaram e nossa convivência, quase desapareceu. Se limitava apenas às relações individuais de um ou outro que moravam próximos. Nunca imaginamos que um dia, juntos, voltaríamos a percorrer os mesmos caminhos e desembarcar, novamente, nos mesmos lugares. E como isto aconteceu? Como embarcamos novamente no trem SCJ e quais são os motivos da viagem de agora? Esta curiosidade me fez ir atrás das respostas. Logo descobri que antes dos movimentos atuais, aconteceram algumas tentativas de organização. Alguns encontros esporádicos e até a criação de uma associação. Lamentavelmente, não lograram o êxito esperado, à exceção de um grupo de Curitiba. Na capital do Paraná, em agosto de 1989, surgiu um grupo de Ex-Seminaristas entitulado “Amigos Dehonianos.” É o primeiro grupo organizado de ex-seminaristas nossos, que se tem notícias até o momento. Em agosto do ano passado, fez 30 anos. Três décadas que o ex-seminarista, Demetrius Brito, juntou 44 passageiros e colocou o trem SCJ, dos velhos tempos, nos trilhos novamente. Estava inaugurada a primeira rota das revivências pelas casas dehonianas. Em novembro de 2009, este grupo de Curitiba, ganhou uma linha especial.


O ex-seminarista, Neocir Redel, inaugurou a primeira linha do trem SCJ no  WhatsApp. “Amigos Dehonianos Ctba.


Esta linha marcaria uma nova era de muito sucesso na reorganização, da família do Sagrado Coração de Jesus.


Três anos depois, em 18 de fevereiro de 2011, entrou em operação a primeira linha no Facebook: “Do Coração de Jesus.” Nesta embarcaram 276 passageiros.


Dois anos mais tarde, em 13 de março de 2013, surgiu a segunda linha no Facebook: “Ex-Seminaristas SCJ.” 622 passageiros embarcaram no sonho de reviver momentos e  relembrar histórias que já pareciam esquecidas.


O ex-seminarista Júnior Valdoir Alves,  em 30 de agosto de 2014, criou o grupo “Ex-seminaristas.” Estava inaugurada a segunda linha do trem do Sagrado Coração no WhatsApp. Nela se juntaram 106 amigos dehonianos.


Aos poucos, o trem SCJ foi acelerando cada vez mais.


Em 4 de setembro de 2015, Marcelo Carminati, criou o grupo “Amigos do Seminário.” 72 viajantes embarcaram até a última parada. 


A razão da viagem de agora é o resgate das lembranças de alguns dos melhores anos de nossas vidas. A impressão que dá, quando todos se encontram, é que as coisas estão apenas continuando de onde pararam um dia.


Com a popularização, cada vez maior do WhatsApp, em 15 de dezembro de 2015, o nosso amigo, Celso Perin, inaugurou uma nova linha, desse trem maluco, que não para mais: “Ex-seminaristas SCJ.” Esta linha conta até o momento com 136 passageiros.


A escola SCJ, agora é on-line e a principal matéria é Teoria da Recordação.


Também em 15 de dezembro de 2015, José Adeli Dill, criou o grupo “Corupá 74/75/76,” com 15 companheiros dos velhos tempos.


É comum e compreensível a formação de pequenos grupos, da mesma sala, que viajaram no mesmo vagão. É uma questão de afinidade. Assim como também é comum, a participação em vários grupos. Eu mesmo, participo de cinco. É sempre bom dar uma espiadinha no que acontece no vagão ao lado.


Em 5 de março de 2016, José Adeli Dill, iniciou também o grupo “esperança sempre,” com 14 passageiros até o momento.


A jornada agora é livre. Não tem horário, nem prova, nem sino pra acordar de manhã. Agora restaram as boas lembranças de um tempo em que, à noite, todos os caminhos levavam às linguiças da cozinha e a gente não deixava pra amanhã o que aparecia pra comer hoje.


O ex-seminarista Jorge Andre Guth, em 13 de maio de 2016,  iniciou uma nova linha: “Ex-seminaristas Anos 80.”


Esta tem 62 viajantes.


Em todos esses grupos, algo singular chama a atenção. O sentimento é só de coisas boas. Até das coisas ruins se ri. Neste trem não há vagão para mágoas e ressentimentos. É claro que pisamos em espinhos, mas graças a Deus, não lembramos mais da dor.


No dia 13 de julho de 2016, Antônio Klutkowski, inaugurou a linha “Seminário SCJ 1976-1986.” 69 colegas embarcaram nesta linha até a última parada.


Hoje, as aulas podem ser separadas, em várias linhas e vagões, mas as matérias não mudam.


Em 14 de março de 2017, nosso colega Elcio Martens, organizou e ajuda a pilotar a linha “Dehonianos - Terra Boa.”


Nesta, 16 passageiros se juntaram até agora.


Centenas de seminaristas passaram pelo seminário de Terra Boa. Então por que um grupo tão pequeno? Porque encontrar a turma, é um trabalho de garimpagem nas redes sociais. Exige tempo e paciência.


No dia 15 de junho de 2017, o ex-seminarista Rogerio Santos Pedroso, deu vida à primeira linha de ex-seminaristas de Minas Gerais. “Ex-Seminaristas de Lavras,” contava com 26 passageiros até a última estação. Pelo seminário de Lavras passaram os Padres ZeZinho, Fabio de Melo e tantos outros sacerdotes valorosos que servem a Cristo.


Valdecir Moroti, em 15 de fevereiro de 2018, criou o grupo “Galera Dehonista.” 25 dehonianos embarcaram até o momento.


Agora, a nossa escola é à distância e os trabalhos são em grupo. Que bom!


O ex-seminarista Gilson Redivo, em 27 de dezembro de 2019, criou a linha mais louca dos ex-seminaristas SCJ até aqui. “Ex-Seminaristas Só Loucos,” conta com 12 loucos até o momento.


Loucos, o que seria do mundo sem eles? Costumo dizer que os sensatos caminham sobre as estradas que os loucos constroem. Então, que embarquem mais loucos neste trem.


Depois da criação dos grupos, vieram os encontros. Depois de muitos anos, o trem dos velhos tempos, voltou a parar nas estações dohonianas novamente. E foi numa dessas paradas que surgiu um grupo muito interessante. As nossas mulheres decidiram embarcar, oficialmente, em nossa viagem de agora. No dia 25 de fevereiro, de 2017, Nelsina Bueno de Godoy Braz, minha esposa, criou a linha “Mulheres Vitoriosas.” Até agora 27 passageiras embarcaram nesta viagem. Confesso que ainda não entendi e tenho medo de perguntar, se vitoriosas é porque se casaram conosco ou porque sobreviveram a nós. Brincadeiras à parte, ficamos felizes que elas participem da nossa viagem também.


Sabe gente, depois de tanto tempo, a sensação é que a viagem é a mesma. Há dias em que basta alguém publicar uma foto e começa o exercício de memória coletiva. Um diz que é, o outro acha que não e segue assim até se chegar à identificação de todos. Não é fácil mesmo reconhecer tantos colegas, de décadas atrás, numa época em que ninguém tinha barriga e todo mundo tinha cabelo. Aliás, cabelo é uma coisa ingrata demais. A gente cuida com tanto carinho, depois cresce, fica rebelde e vai embora, sem falar nada. Fazer o que. É assim mesmo, né.


Nossa escola de agora é à distância e a vantagem é que ninguém reprova. Sabemos que não se deve viver olhando para trás. Se fosse assim, o retrovisor dos carros seria maior que o para-brisa. Mas para nós, o passado não envelhece. Nele, temos sempre a mesma idade e a mesma alegria estampado no rosto.


E é com muita alegria que finalizo, deixando uma mensagem a todos. Sabemos que o tempo é longo, mas a vida aqui é breve. Por conta disso, meus irmãos, mantenham o foco naquilo que vale a pena. Procurem mudar a conduta, as palavras, amenizar o discurso, pronunciar a vida. Façam tudo como se fosse a última vez. Declamem o amor, a gratidão. Acreditem, o que perece estar longe pode estar mais perto que vocês imaginam. Parem de olhar as coisas e reclamar dos seus defeitos. Pensem bem no seguinte: se tudo estivesse perfeito neste mundo, qual a razão de estarmos aqui? Deus não nos mandou para uma colônia de férias. Estamos aqui para nos refazer e consertar uns aos outros no amor e na fé. Temos que entender, que o mundo não tem defeito. Deus não nos entregou uma casa quebrada. Os defeitos do mundo somos nós e estamos aqui para nos ajudar e voltar a ser inteiros. Assim, somente assim, podemos ser felizes.


O cego pode não achar sua casa, mas sabe que tem uma. O órfão pode não ter visto a sua mãe, mas também sabe que tem uma. A felicidade é assim. Por falha nossa, até podemos não achar, mas Deus fez uma pra cada um de nós.


 


Muito obrigado a todos.


 


 


Fotógrafo: Dionei José Delagnolo

Fonte: Adauto Almir Braz

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