Dehonianos
Ser Dehoniano
 
Ser Dehoniano

“Ao fundar a Congregação dos Oblatos, Sacerdotes do Coração de Jesus, Padre Dehon quis que os seus membros unissem, de forma explícita, a sua vida religiosa e apostólica à oblação reparadora de Cristo ao Pai pelos homens” (Cst. 6). Ao Ecce Venio de Jesus, o Fundador une o Ecce Ancilla de Maria: “Nestas palavras: Ecce Venio… Ecce Ancilla… encerram-se toda a nossa vocação, a nossa finalidade, o nosso dever, as nossas promessas” (Cst. 6).
Esta atitude fundamental, expressa nas palavras Ecce Venio e Ecce Ancilla, está orientada para o amor e para a eliminação dos obstáculos ao amor, ou seja, para a reparação: “O Padre Dehon é muito sensível ao pecado… conhece os males da sociedade… espera que os seus religiosos sejam profetas do amor e servidores da reconciliação dos homens e do mundo em Cristo” (Cst. 4). “Assim comprometidos com Cristo, para reparar o pecado e a falta de amor na Igreja e no mundo, prestarão com toda a sua vida, com as orações, trabalhos, sofrimentos e alegrias, o culto de amor e de reparação que o seu Coração deseja” (Cst. 7).

Espírito e Valores
O “espírito” é aquilo que indica o mais profundo e decisivo da vida de uma pessoa: a paixão que a anima, a sua inspiração última, aquilo que nela contagia os outros. Designa tudo aquilo que de único e original cada pessoa coloca no mundo. É este “espírito” que dá ânimo aos nossos projetos e compromissos e forma a nossa esperança e horizonte de valores.
Os valores espirituais são muito valiosos para os dehonianos, porque não vivemos ligados a uma atividade apostólica determinada. É importante aquilo que fazemos, mas mais importante ainda é o modo como o realizamos. Perceber o viver dehoniano hoje passa por, a partir de uma maneira de ser e estar, remontar à profunda experiência espiritual, que está na gênese e na base desse estilo de vida. Por isso, torna-se necessário procurar e pôr em evidência um conjunto de atitudes interiores típicas:
1. Os olhos abertos – Com Pe. Dehon, aprendemos a olhar o mundo à nossa volta, a ser capazes de reconhecer os dramas do homem contemporâneo, e a estar atentos aos sinais dos tempos.
A vida de oblação “torna-nos atentos aos apelos que o Pai nos dirige através dos acontecimentos pequenos e grandes e nas expectativas e realizações humanas” (Cst. 35, §3).
2. Mãos que curam – A simplicidade, a bondade e a generosidade aproximam-nos das pessoas com as quais gostamos de estar e com quem nos sentimos bem.
À imagem das mãos de Cristo que curavam, somos chamados a cuidar dos homens e mulheres do nosso tempo. Este cuidado estende-se também à natureza, casa comum na qual nos movemos e existimos.
O lado aberto de Cristo é a ferida que nos desperta para os sofrimentos da humanidade. Porque nos descobrimos amados e curados por Deus, sentimo-nos próximos e sensíveis às dores e chagas de tantos homens e mulheres deste mundo.
3. Pés que caminham – O caminho de Jesus é o nosso caminho. Com os olhos fixos Nele (cf. Hb 12,2), queremos viver o espírito que o animava, imitando sua vida.
Fiéis à escuta da Palavra e à fração do Pão, somos chamados a descobrir, cada vez mais, a Pessoa de Cristo e o mistério do seu Coração, e a anunciar o seu amor, que excede todo o conhecimento (cf. Cst. 17, §4).
4. Coração que se compadece – A vida de Pe. Dehon foi um esforço constante em dar a conhecer o amor de Deus, em ajudar as pessoas a vivê-lo e a corresponder-lhe nas suas vidas.
O lado aberto de Jesus é a evocação deste amor que se dá totalmente, um amor que recria e transforma o homem, um amor que o torna semelhante a Deus. Aqui estamos no centro da espiritualidade que queremos viver e dar a conhecer.
Queremos ser pessoas de coração, que irradiam e transmitem confiança e que são sinais de profunda humanidade. Por isso, a nossa espiritualidade revela-se mais luminosa no contato com próximo do que propriamente nas teorias e construções intelectuais que possamos apresentar.
Com São João, vemos no lado aberto o sinal do amor que, na doação total de Si mesmo, recria o homem segundo Deus. Com efeito, somos chamados a inserir-nos nesse movimento de amor redentor, doando-nos aos irmãos, com e como Cristo (cf. Cst. 21). “Nisto conhecemos o amor: Ele deu a sua vida por nós e nós devemos também dar a vida pelos nossos irmãos” (1Jo 3,16).
5. Ouvidos que escutam – Atentos aos clamores dos homens, na escuta da Palavra de Deus, oferecemos a nossa atenção e o nosso tempo. A disponibilidade, a proximidade e o serviço – que nos caracterizam – têm aqui o seu grau mais elevado.
Atentos às necessidades da Igreja e às angústias e aos sonhos da humanidade, seremos discípulos de Pe. Dehon, que teve sempre uma particular atenção para com os homens do seu tempo, sobretudo os mais pobres: aqueles a quem faltam recursos, razões de viver a esperança.
Para nós, tal como para ele, o compromisso de pobreza pretende significar a entrega de toda a nossa vida ao serviço do Evangelho (cf. Cst. 52).
6. Boca que anuncia e denuncia – Sabemos que a experiência do amor de Deus, incondicional e sem limites, é o motor e o combustível para a nossa ação evangelizadora, apostólica e missionária.
Este amor de Deus também é o despertador que nos acorda para as injustiças, os desprezos e os esquecimentos a que muitos são votados. Neste sentido, a nossa predileção irá para aqueles que têm maior necessidade de ser considerados e amados.
Ainda, não queremos apenas ser voz dos que não têm voz; queremos também ser voz contra os que têm demasiada voz. Lutaremos contra qualquer forma de injustiça social. Só assim, e seguindo as diretrizes da Igreja, poderemos despertar as consciências para os dramas da miséria e para as exigências da justiça (cf. Cst. 51).
7. O rosto luminoso – Os perseverantes encontros com Deus são instância de transformação da nossa própria vida. É aí que nos unimos ao amor de Cristo pelos homens; é aí que progredimos no conhecimento de Jesus. Esta intimidade com Cristo faz-nos “descer do monte” transformados, transfigurados e capazes de ser este rosto do amor misericordioso de Deus. É também aqui que se compreende a nossa vocação a sermos “profetas do amor e servidores da reconciliação” (cf. Cst. 7).
Tudo o que acima foi dito adquire o seu sentido pleno numa comunhão de amigos e irmãos, que partilham este ideal e que se motivam permanentemente para ele. Assim, a fraternidade é um testemunho forte e persuasivo, num mundo onde a solidão cresce continuamente e onde há muito espaço para que vença o medo, a tristeza e a dor.
Neste amor de Cristo encontramos a certeza de alcançar a fraternidade humana e a força de lutar por ela (cf. Cst. 18, §2).
Em traços gerais, este é o “espírito” que nos anima e sustenta. Este é também o “espírito” que, nas palavras de S. Paulo, nos esforçamos por não apagar. Esta chama acesa em nossos corações é a garantia da nossa missão e define igualmente o nosso lugar específico na Igreja. Não nos é pedido nada mais que isto: que mantenhamos acesa esta sarça ardente carismática descoberta por Pe. Dehon.

 
 

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