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Tempo do Natal: convite a acolher a luz de Cristo
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Tempo do Natal: convite a acolher a luz de Cristo

Dom Murilo S.R. Krieger, scj - Arcebispo Emérito de São Salvador da Bahia          


O Tempo Litúrgico do Natal se inicia na noite de 24 de dezembro e se conclui com o Batismo do Senhor (Domingo após 6 de janeiro). É um tempo breve, mas rico de celebrações e mistérios, pois nele fazemos memória de duas grandes solenidades: a do Natal, que celebra o acontecimento histórico do nascimento de Jesus em Belém, e a da Epifania do Senhor, quando Deus se revela na natureza humana de Cristo. No Natal, celebramos o Deus escondido no Menino que nasceu em uma gruta; na Epifania, Deus se manifesta e se torna visível no mesmo Menino. São Leão Magno († 461), do qual temos famosas homilias do Natal, exclama: “O inacessível quis ser alcançável; Ele que existe antes do tempo começou a estar no tempo; o Senhor do Universo, ocultando a grandeza da sua majestade, assumiu a natureza de servo”[1].


Diante dessas manifestações do amor de Deus, nosso primeiro sentimento deve ser o da alegria. Foi isso que o Anjo de Belém anunciou aos pastores: “Eu vos anuncio uma grande alegria”[2]. Essa alegria nasce da certeza de que Deus está perto de nós; Ele é o Emanuel, o Deus conosco, que se torna pequeno para se aproximar de nós e nos elevar a Ele. Santo Atanásio de Alexandria († 373) fez uma afirmação que deve encher o nosso coração de esperança: “O Filho de Deus se fez homem para nos fazer Deus”[3]. Em outras palavras, o Filho de Deus assumiu a nossa humanidade e, assim, a natureza humana foi elevada à dignidade divina. São Paulo já havia escrito aos Gálatas que: “Deus enviou o seu Filho... para que recebêssemos a adoção de filhos”[4]. Que graça recebemos no Natal: o Pai nos aceitou como filhos. Somos filhos de Deus! Podemos, como Jesus, dirigir-nos ao Pai e lhe dizer: “Meu Pai!... Pai nosso!”.  Aquele sonho que a humanidade teve no Paraíso, de ser como Deus, torna-se, agora, realidade. Segundo o Papa Emérito Bento XVI, tudo isso se concretiza na Eucaristia: “Quando participamos da santa Missa, apresentamos a Deus o que é nosso: o pão e o vinho, fruto da terra, para que Ele os aceite e transforme, doando-se a si mesmo a nós e fazendo-se nosso alimento, para que, recebendo o seu Corpo e o seu Sangue, participemos da sua vida divina”[5].


O Natal é a festa da luz. Na noite de Belém, quando o anjo se dirigiu aos pastores, “a glória do Senhor os envolveu de luz”[6]. Referindo-se à encarnação de Jesus, São João afirma: “Ele era a luz verdadeira que, vindo ao mundo, a todos ilumina”[7]. Aproximar-se de Jesus é aproximar-se da luz. Entrando na escuridão da noite, Jesus veio afastar do mundo e do coração humano as trevas, e iluminar tudo com a luz de seu amor. Mas é preciso acolher essa luz. Temos o terrível poder de não recebê-la, de rejeitá-la[8]. O Evangelho é a luz que não se deve esconder; é a luz que deve ficar em um lugar elevado, para iluminar a todos.


Nossa missão, como discípulos de Jesus de Nazaré, é, pois, levar a luz de Cristo para os outros; é levar a luz do Evangelho. Para isso, precisamos, antes, nós mesmos ser envolvidos por essa luz. Em outras palavras: há necessidade de transformarmos nossa vida, seguindo os critérios do Evangelho. Entende-se, portanto, a razão de, ao iniciar sua missão anunciando “o Evangelho de Deus”, Jesus deixou clara a necessidade de nossa conversão[9].


Celebrar o Tempo de Natal é, em primeiro lugar, contemplar o Menino que nasce em Belém; depois, é acolhê-lo; enfim, seguindo a orientação do apóstolo Paulo aos Filipenses, é procurar ter os mesmos sentimentos de Jesus[10]. Seus pensamentos e seus gestos devem ser os nossos. Ou melhor, o Natal nos propõe viver de tal modo que, em nós, Jesus possa continuar amando o Pai e os irmãos.


Para nos incentivar a viver intensamente o Tempo do Natal, muito nos servem as palavras do Papa São Leão Magno:


“Reconhece, cristão, a tua dignidade e, tornando-te participante da natureza divina. Não pretendas voltar a cair na condição desprezível de outrora, com um comportamento indigno. Recorda-te de quem é tua Cabeça e de qual Corpo és membro. Recorda-te de que, arrancado do poder as trevas, foste transferido para a luz e para o Reino de Deus!”[11].          


 


[1] São Leão Magno, Sermão 2 sobre o Natal, 2.1


[2] Lc 2,10


[3] Santo Atanásio de Alexandria, De Incarnatione, 54,3


[4] Gl 4,4-5


[5] Papa Bento XVI, 04.01.2012


[6] Lc 2,9


[7] Jo 1,9


[8] Cf. Jo 1,11


[9] Cf. Mc 1,15


[10] Cf. Fl 2,5


[11] S. Leão Magno, Sermão 1 sobre o Natal, 3,2


Fonte: Vatican News

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