História de vida do Mártir Dehoniano Padre Nícola Martino Capelli (1912-1944)
No dia 27 de setembro de 2026 o Padre Nicola Martino Capelli, SCJ (1912–1944), mártir dehoniano, será beatificado na Cidade de Bolonha, Itália. Veja a história de vida deste padre dehoniano que soube viver e morrer pelo Coração de Jesus.
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08.06.2026 - 15:10:00 | 24 minutos de leitura

“Missionário almejado, mártir consumado”
“Ó Virgem, rainha dos mártires mexicanos,
concede-me que um dia seja também
eu mártir de Cristo Rei e teu,
Virgem Imaculada. Ó Mãe, confio que,
pela intercessão dos teus mártires,
mo concederás.
O teu filho, Fr. Martino Capelli”
(Albino, 12-12-1931).
Estas palavras, retiradas dos seus Escritos Espirituais, são conhecidas como o “Pedido do
Martírio” que o Padre Martino Capelli escreveu no dia da festa de Nossa Senhora de Guadalupe, após se
ter comovido ao ouvir uma conferência sobre os mártires do México. Estas palavras resumem a sua vida e a
sua espiritualidade: uma vida vivida e doada pelos outros, seguindo os passos do próprio Jesus. Nestas
palavras manifesta-se a sua vocação de mártire, no sentido mais profundo do termo e até às últimas
consequências: imolar-se até ao fim por amor dos irmãos.
Infância
O Padre Martino Capelli nasceu em Nembro (Itália) a 20 de setembro de
1912, filho de Martino (1862-1925) e de Maria Teresa Bonomi (1873-1931), casada em segundas núpcias em
1902. Deste segundo casamento teve seis filhos, sendo o último o futuro Servo de Deus, que foi batizado
com o nome de Nicola Giuseppe. Frequentou a escola primária em Nembro (1918-1922) até completar a
escolaridade obrigatória. A data do sacramento da Confirmação coincidiu com o aniversário da coroação de
Nossa Senhora das Dores, no Santuário do Zuccarello, a 8 de agosto de 1920.
Aos doze anos, entrou na Escola Apostólica do Sagrado Coração de Albino,
próxima da sua localidade, onde os Dehonianos, desde 1907, tinham erigido um seminário menor. Ali,
Martino frequentou todo o ciclo de estudos do ensino médio.
Vocação religiosa e sacerdotal
De Albino passou para Albisola Superiore, no noviciado dehoniano junto ao
Santuário Mariano da Paz, fazendo a primeira profissão a 23 de setembro de 1930 e assumindo o nome
religioso do seu falecido pai, Martino Maria. Prosseguiu a formação religiosa e académica no
Escolasticado Missionário de Bolonha, onde frequentou os últimos três anos do liceu e o ciclo em
filosofia.
Após o primeiro ciclo do liceu, Martino foi transferido para Albino. Nesse
ano viveu experiências marcantes, destacando-se a sua participação na conferência do padre Luigi
Ziliani, fugido do México, sobre as perseguições religiosas que ali decorriam. Foi na sequência desta
experiência que o jovem religioso formulou este pedido: “À Virgem dos mártires mexicanos, que um dia
seja também eu mártir de Cristo Rei e teu, Virgem Imaculada... Confio que mo concederás” (12.12.1931).
Poucos dias depois, faleceu a sua mãe e ele escolheu a Senhora das Dores como a sua nova mãe: «Agora, ó
Maria, sê também para mim uma mãe terrena».
Regressado a Bolonha, prosseguiu os estudos filosóficos e, a 23 de
setembro de 1933, emitiu os votos perpétuos, consagrando-se ao Sagrado Coração de Jesus. Após um ano em
Trento como prefeito de disciplina (1934-35), iniciou o curso de teologia em Bolonha, no Seminário
Regional Bento XV, frequentando os três anos seguintes no Escolasticado, onde recebeu as ordens menores
e, em 1938, o a ordenação sacerdotal. Celebrou a Primeira Missa solene em Nembro, no Santuário de Nossa
Senhora do Zuccarello.
Formação em Roma
O anseio que o acompanhou durante todo o seu percurso formativo foi o de
ser missionário e mártir. Ao concluir o quarto ano do curso de teologia, pediu aos superiores para
partir em missão para a China. No entanto, com a guerra prestes a eclodir, o seu destino acabou por ser
Roma, onde frequentou o Instituto Bíblico durante dois anos. No terceiro ano, inscreveu-se no Ateneu da
Propaganda Fide, obtendo, com distinção, a Licenciatura em Teologia.
Os horrores da guerra
Embora o Padre Martino desejasse terminar os seus estudos com a tese, a
falta de professores no Escolasticado levou os superiores a decidirem de outra forma, transferindo-o
provisoriamente para Castiglione dei Pepoli. Entretanto, a frente de guerra em Itália aproximava-se cada
vez mais e, no verão de 1944, os alemães ocuparam o Escolasticado com a intenção de o transformar num
hospital. Assim, não houve outra alternativa senão deslocar-se, pela segunda vez, para a aldeia de
Burzanella. O Padre Martino, após três semanas de pregação, chegou à nova comunidade. A 18 de julho, os
alemães cercaram a vila, queimaram as casas e capturaram cinco pessoas. Ele próprio presenciou o
fuzilamento de dois “resistentes” (partigiani) na praça da Igreja.
Em Pioppe di Salvaro
Poucos dias depois, o Padre Martino dirigiu-se a Salvaro para ajudar
Monsenhor Fidenzo Mellini, que o convidara para o período de férias. Ali encontrou um bom amigo e irmão:
o Padre Elia Comini, salesiano. Estabeleceu com ele um laço de sólida fraternidade sacerdotal e, juntos,
ocuparam-se não só da pastoral ordinária, mas também do socorro às pessoas mais necessitadas daquela
zona. Pode dizer-se que, naquele verão de 1944, o Padre Martino Capelli foi um autêntico missionário,
pregando a palavra de Deus.
O Padre Martino empenhou-se em cuidar pessoalmente do povo de Deus
sofredor: com ardente caridade, viva esperança e uma firme compreensão do ministério sacerdotal e das
suas exigências. Mesmo encontrando-se, nos últimos meses de vida, longe da comunidade dehoniana, em
Salvaro soube colocar-se à disposição das necessidades pastorais das pessoas com abnegação, socorrendo,
ajudando, sustentando, guiando, encorajando e consolando. Ele e o Padre Elia viveriam juntos o tríduo do
seu martírio.
Triduo martirial
A 29 de setembro, uma sexta-feira, espalhou-se a notícia de que
destacamentos das SS estariam a fazer rusgas na zona. A residência paroquial e a Igreja de Salvaro
encheram-se imediatamente de pessoas aterrorizadas. O primeiro pensamento dos dois sacerdotes foi de
colocar a salvo os homens, por serem estes os alvos mais comuns das represálias. Depois de terem
celebrado a Missa, chegou um homem ofegante com a notícia de que, em Creda, tinham sido assassinadas
famílias inteiras. O Padre Martino e o Padre Elia, resistindo às súplicas das mulheres que tentavam
convencê-los a ficar, decidiram partir para junto daquele povo, a fim de lhes prestar ajuda e conforto
espiritual. Mas, mal chegaram, foram detidos pelas SS e obrigados a carregar munições durante todo o
dia. Perto do pôr do sol, foram conduzidos para estrebaria da fábrica de processamento de cânhamo, em
frente à Igreja de Pioppe di Salvaro.
No sábado, 30 de setembro, por volta do meio-dia, as SS e um oficial
republicano, acompanhados por um traidor, efetuaram um interrogatório sumário com o objetivo de obter
informações sobre os detidos e selecionar os homens aptos para trabalhar na Alemanha. O Padre Martino
foi acusado de ter sido visto em San Martino, com o sacerdote Padre Ubaldo Marchioni, e isto bastou para
o rotularem como “resistente”; o mesmo aconteceu ao Padre Elia Comini. Os dois sacerdotes, enclausurados
numa pequena cela de detenção, compreenderam qual seria o destino que os aguardava. Houve quem os visse
através da janela: o Padre Elia olhava para o céu, o Padre Martino rezava, mas nunca ninguém saberá o
que foi para eles aquela noite de Getsémani.
Após dois dias de um cativeiro cruel, no domingo, 1 de outubro, a
professora de Pioppe di Salvaro, Dina Pescio, conseguiu comunicar com os dois sacerdotes. O Padre Elia
tentou confortá-la e depois abençoou-a. O Padre Martino não abriu a boca, mas fez um sinal de bênção e
continuou a rezar. Naquela tarde, os prisioneiros foram conduzidos à chamada “botte” (tanque), que
regulava a água para a energia elétrica da fábrica, que naquele momento estava cheia de lama. A poucos
metros foram posicionadas as metralhadoras. Ali, consumou-se a imolação de quarenta e quatro vítimas. O
Padre Martino, depois de ser baleado e cair no tanque, levantou-se, proferiu algumas palavras e fez o
sinal da cruz. Enquanto concedia esta última bênção, caiu de braços abertos. Tinha 32 anos.
Ninguém se pôde aproximar para prestar auxílio ou para sepultar os mortos,
que ali permaneceram até que, restabelecido o fluxo da água no canal, todos foram arrastados pela
corrente do rio Reno. Recuando a 8 de dezembro de 1932, Martino, então com vinte anos, escreveu a
seguinte prece a Nossa Senhora: «Um dia, ó Mãe, voltaremos a ver-nos no leito de morte do meu martírio.
Sim, serei sempre teu, inteiramente teu!». O leito de morte do Padre Martino foi o fundo lameirento do
tanque de Pioppe. Ali, naquele lugar de tristeza, a Senhora da Dores aguardava-o para o conduzir, por
fim, à luz e à paz do Senhor Ressuscitado.
Testemunha do amor e da reconciliação
No cemitério de Salvaro, encontram-se duas lápides em memória do Padre
Elia e do Padre Martino. Nesta última, lemos as palavras que resumem o testemunho dos pastores de Monte
Sole:
“‘Ninguém tem maior amor do que quem dá a própria vida’.
Padre NICOLA MARTINO CAPELLI.
Revelou a sua vida na grandeza da sua morte.
Simplesmente mártir”.
Na sua caminhada para o martírio, consumada no dia 1 de outubro de 1944,
ele demonstra ainda a capacidade de atrair para o bem, não hesitando em expor-se pessoalmente perante o
perigo. Ao ser capturado, humilhado, preso e depois assassinado, o Padre Martino conserva uma postura de
composta humildade, testemunho inequívoco da profundidade da sua vida de oração. Ele mantém viva a
esperança no Céu: será ele a abençoar, num último gesto — já agonizante — aqueles que com ele tinham
sido feridos e mortos pelas SS. Era o ato conclusivo de uma vida inteiramente dada, primeiro à formação
para o sacerdócio e depois no ministério pastoral.
O Padre Martino reveste-se de uma clara atualidade como exemplo de
religioso dehoniano que incarnou a vocação no sentido mais profundo e até às últimas consequências:
imolar-se por amor dos irmãos até ao fim, mesmo quando a sua vida foi ameaçada e depois suprimida,
simplesmente pelo sacerdócio que decidira incarnar. É um modelo a seguir, um testemunho de vida
dehoniana: derramou o seu sangue por amor ao Ressuscitado, como Sua testemunha; ofereceu toda a vida
entregando-se como bom pastor do Coração de Jesus. Por fim, o Padre Martino ensina aos homens de hoje a
lição do perdão para que sejam profetas do amor e servidores da reconciliação.
Oração
Senhor Jesus, Bom Pastor,
Nós te damos graças por teres chamado
o Padre Martino Capelli
a viver na tua Igreja como religioso e sacerdote,
consagrado ao teu Coração divino.
A sua missão foi testemunho de virtude
e amor pelo teu Reino.
O seu martírio selou
a oblação de toda a sua vida.
Por intercessão do Beato e Mártir Martino Capelli,
pedimos-Te, ó Coração de Jesus,
a graça de que necessitamos.
Confiamos-nos também a Nossa
Senhora das Dores,
em quem o nosso Beato nos ensinou a confiar.
Amém.
Vivat Cor Iesu!
Para detalhes mais resumidos sobre o P. Martino em PDF, clique no link abaixo:
“Missionário almejado, mártir consumado”
“Ó Virgem, rainha dos mártires mexicanos,
concede-me que um dia seja também
eu mártir de Cristo Rei e teu,
Virgem Imaculada. Ó Mãe, confio que,
pela intercessão dos teus mártires,
mo concederás.
O teu filho, Fr. Martino Capelli”
(Albino, 12-12-1931).
Estas palavras, retiradas dos seus Escritos Espirituais, são conhecidas como o “Pedido do
Martírio” que o Padre Martino Capelli escreveu no dia da festa de Nossa Senhora de Guadalupe, após se
ter comovido ao ouvir uma conferência sobre os mártires do México. Estas palavras resumem a sua vida e a
sua espiritualidade: uma vida vivida e doada pelos outros, seguindo os passos do próprio Jesus. Nestas
palavras manifesta-se a sua vocação de mártire, no sentido mais profundo do termo e até às últimas
consequências: imolar-se até ao fim por amor dos irmãos.
Infância
O Padre Martino Capelli nasceu em Nembro (Itália) a 20 de setembro de
1912, filho de Martino (1862-1925) e de Maria Teresa Bonomi (1873-1931), casada em segundas núpcias em
1902. Deste segundo casamento teve seis filhos, sendo o último o futuro Servo de Deus, que foi batizado
com o nome de Nicola Giuseppe. Frequentou a escola primária em Nembro (1918-1922) até completar a
escolaridade obrigatória. A data do sacramento da Confirmação coincidiu com o aniversário da coroação de
Nossa Senhora das Dores, no Santuário do Zuccarello, a 8 de agosto de 1920.
Aos doze anos, entrou na Escola Apostólica do Sagrado Coração de Albino,
próxima da sua localidade, onde os Dehonianos, desde 1907, tinham erigido um seminário menor. Ali,
Martino frequentou todo o ciclo de estudos do ensino médio.
Vocação religiosa e sacerdotal
De Albino passou para Albisola Superiore, no noviciado dehoniano junto ao
Santuário Mariano da Paz, fazendo a primeira profissão a 23 de setembro de 1930 e assumindo o nome
religioso do seu falecido pai, Martino Maria. Prosseguiu a formação religiosa e académica no
Escolasticado Missionário de Bolonha, onde frequentou os últimos três anos do liceu e o ciclo em
filosofia.
Após o primeiro ciclo do liceu, Martino foi transferido para Albino. Nesse
ano viveu experiências marcantes, destacando-se a sua participação na conferência do padre Luigi
Ziliani, fugido do México, sobre as perseguições religiosas que ali decorriam. Foi na sequência desta
experiência que o jovem religioso formulou este pedido: “À Virgem dos mártires mexicanos, que um dia
seja também eu mártir de Cristo Rei e teu, Virgem Imaculada... Confio que mo concederás” (12.12.1931).
Poucos dias depois, faleceu a sua mãe e ele escolheu a Senhora das Dores como a sua nova mãe: «Agora, ó
Maria, sê também para mim uma mãe terrena».
Regressado a Bolonha, prosseguiu os estudos filosóficos e, a 23 de
setembro de 1933, emitiu os votos perpétuos, consagrando-se ao Sagrado Coração de Jesus. Após um ano em
Trento como prefeito de disciplina (1934-35), iniciou o curso de teologia em Bolonha, no Seminário
Regional Bento XV, frequentando os três anos seguintes no Escolasticado, onde recebeu as ordens menores
e, em 1938, o a ordenação sacerdotal. Celebrou a Primeira Missa solene em Nembro, no Santuário de Nossa
Senhora do Zuccarello.
Formação em Roma
O anseio que o acompanhou durante todo o seu percurso formativo foi o de
ser missionário e mártir. Ao concluir o quarto ano do curso de teologia, pediu aos superiores para
partir em missão para a China. No entanto, com a guerra prestes a eclodir, o seu destino acabou por ser
Roma, onde frequentou o Instituto Bíblico durante dois anos. No terceiro ano, inscreveu-se no Ateneu da
Propaganda Fide, obtendo, com distinção, a Licenciatura em Teologia.
Os horrores da guerra
Embora o Padre Martino desejasse terminar os seus estudos com a tese, a
falta de professores no Escolasticado levou os superiores a decidirem de outra forma, transferindo-o
provisoriamente para Castiglione dei Pepoli. Entretanto, a frente de guerra em Itália aproximava-se cada
vez mais e, no verão de 1944, os alemães ocuparam o Escolasticado com a intenção de o transformar num
hospital. Assim, não houve outra alternativa senão deslocar-se, pela segunda vez, para a aldeia de
Burzanella. O Padre Martino, após três semanas de pregação, chegou à nova comunidade. A 18 de julho, os
alemães cercaram a vila, queimaram as casas e capturaram cinco pessoas. Ele próprio presenciou o
fuzilamento de dois “resistentes” (partigiani) na praça da Igreja.
Em Pioppe di Salvaro
Poucos dias depois, o Padre Martino dirigiu-se a Salvaro para ajudar
Monsenhor Fidenzo Mellini, que o convidara para o período de férias. Ali encontrou um bom amigo e irmão:
o Padre Elia Comini, salesiano. Estabeleceu com ele um laço de sólida fraternidade sacerdotal e, juntos,
ocuparam-se não só da pastoral ordinária, mas também do socorro às pessoas mais necessitadas daquela
zona. Pode dizer-se que, naquele verão de 1944, o Padre Martino Capelli foi um autêntico missionário,
pregando a palavra de Deus.
O Padre Martino empenhou-se em cuidar pessoalmente do povo de Deus
sofredor: com ardente caridade, viva esperança e uma firme compreensão do ministério sacerdotal e das
suas exigências. Mesmo encontrando-se, nos últimos meses de vida, longe da comunidade dehoniana, em
Salvaro soube colocar-se à disposição das necessidades pastorais das pessoas com abnegação, socorrendo,
ajudando, sustentando, guiando, encorajando e consolando. Ele e o Padre Elia viveriam juntos o tríduo do
seu martírio.
Triduo martirial
A 29 de setembro, uma sexta-feira, espalhou-se a notícia de que
destacamentos das SS estariam a fazer rusgas na zona. A residência paroquial e a Igreja de Salvaro
encheram-se imediatamente de pessoas aterrorizadas. O primeiro pensamento dos dois sacerdotes foi de
colocar a salvo os homens, por serem estes os alvos mais comuns das represálias. Depois de terem
celebrado a Missa, chegou um homem ofegante com a notícia de que, em Creda, tinham sido assassinadas
famílias inteiras. O Padre Martino e o Padre Elia, resistindo às súplicas das mulheres que tentavam
convencê-los a ficar, decidiram partir para junto daquele povo, a fim de lhes prestar ajuda e conforto
espiritual. Mas, mal chegaram, foram detidos pelas SS e obrigados a carregar munições durante todo o
dia. Perto do pôr do sol, foram conduzidos para estrebaria da fábrica de processamento de cânhamo, em
frente à Igreja de Pioppe di Salvaro.
No sábado, 30 de setembro, por volta do meio-dia, as SS e um oficial
republicano, acompanhados por um traidor, efetuaram um interrogatório sumário com o objetivo de obter
informações sobre os detidos e selecionar os homens aptos para trabalhar na Alemanha. O Padre Martino
foi acusado de ter sido visto em San Martino, com o sacerdote Padre Ubaldo Marchioni, e isto bastou para
o rotularem como “resistente”; o mesmo aconteceu ao Padre Elia Comini. Os dois sacerdotes, enclausurados
numa pequena cela de detenção, compreenderam qual seria o destino que os aguardava. Houve quem os visse
através da janela: o Padre Elia olhava para o céu, o Padre Martino rezava, mas nunca ninguém saberá o
que foi para eles aquela noite de Getsémani.
Após dois dias de um cativeiro cruel, no domingo, 1 de outubro, a
professora de Pioppe di Salvaro, Dina Pescio, conseguiu comunicar com os dois sacerdotes. O Padre Elia
tentou confortá-la e depois abençoou-a. O Padre Martino não abriu a boca, mas fez um sinal de bênção e
continuou a rezar. Naquela tarde, os prisioneiros foram conduzidos à chamada “botte” (tanque), que
regulava a água para a energia elétrica da fábrica, que naquele momento estava cheia de lama. A poucos
metros foram posicionadas as metralhadoras. Ali, consumou-se a imolação de quarenta e quatro vítimas. O
Padre Martino, depois de ser baleado e cair no tanque, levantou-se, proferiu algumas palavras e fez o
sinal da cruz. Enquanto concedia esta última bênção, caiu de braços abertos. Tinha 32 anos.
Ninguém se pôde aproximar para prestar auxílio ou para sepultar os mortos,
que ali permaneceram até que, restabelecido o fluxo da água no canal, todos foram arrastados pela
corrente do rio Reno. Recuando a 8 de dezembro de 1932, Martino, então com vinte anos, escreveu a
seguinte prece a Nossa Senhora: «Um dia, ó Mãe, voltaremos a ver-nos no leito de morte do meu martírio.
Sim, serei sempre teu, inteiramente teu!». O leito de morte do Padre Martino foi o fundo lameirento do
tanque de Pioppe. Ali, naquele lugar de tristeza, a Senhora da Dores aguardava-o para o conduzir, por
fim, à luz e à paz do Senhor Ressuscitado.
Testemunha do amor e da reconciliação
No cemitério de Salvaro, encontram-se duas lápides em memória do Padre
Elia e do Padre Martino. Nesta última, lemos as palavras que resumem o testemunho dos pastores de Monte
Sole:
“‘Ninguém tem maior amor do que quem dá a própria vida’.
Padre NICOLA MARTINO CAPELLI.
Revelou a sua vida na grandeza da sua morte.
Simplesmente mártir”.
Na sua caminhada para o martírio, consumada no dia 1 de outubro de 1944,
ele demonstra ainda a capacidade de atrair para o bem, não hesitando em expor-se pessoalmente perante o
perigo. Ao ser capturado, humilhado, preso e depois assassinado, o Padre Martino conserva uma postura de
composta humildade, testemunho inequívoco da profundidade da sua vida de oração. Ele mantém viva a
esperança no Céu: será ele a abençoar, num último gesto — já agonizante — aqueles que com ele tinham
sido feridos e mortos pelas SS. Era o ato conclusivo de uma vida inteiramente dada, primeiro à formação
para o sacerdócio e depois no ministério pastoral.
O Padre Martino reveste-se de uma clara atualidade como exemplo de
religioso dehoniano que incarnou a vocação no sentido mais profundo e até às últimas consequências:
imolar-se por amor dos irmãos até ao fim, mesmo quando a sua vida foi ameaçada e depois suprimida,
simplesmente pelo sacerdócio que decidira incarnar. É um modelo a seguir, um testemunho de vida
dehoniana: derramou o seu sangue por amor ao Ressuscitado, como Sua testemunha; ofereceu toda a vida
entregando-se como bom pastor do Coração de Jesus. Por fim, o Padre Martino ensina aos homens de hoje a
lição do perdão para que sejam profetas do amor e servidores da reconciliação.
Oração
Senhor Jesus, Bom Pastor,
Nós te damos graças por teres chamado
o Padre Martino Capelli
a viver na tua Igreja como religioso e sacerdote,
consagrado ao teu Coração divino.
A sua missão foi testemunho de virtude
e amor pelo teu Reino.
O seu martírio selou
a oblação de toda a sua vida.
Por intercessão do Beato e Mártir Martino Capelli,
pedimos-Te, ó Coração de Jesus,
a graça de que necessitamos.
Confiamos-nos também a Nossa
Senhora das Dores,
em quem o nosso Beato nos ensinou a confiar.
Amém.
Vivat Cor Iesu!
Para detalhes mais resumidos sobre o P. Martino em PDF, clique no link abaixo:
Fonte: Postulazione SCJ
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