Homilia da Ordenação Presbiteral do Diác. Leonardo Jacomelli
D. Onécimo Alberton, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Florianópolis, presidiu a ordenação presbiteral de nosso confrade, P. Leonardo Jacomelli, SCJ, realizada em Ituporanga, SC, neste sábado, 13 de dezembro. Na ocasião, D. Onécimo também proferiu a homilia da celebração, que apresentamos a seguir na íntegra.
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15.12.2025 - 18:00:00 | 12 minutos de leitura

Minha saudação agradecida ao Diácono Leonardo, pelo convite para ser o Bispo ordenante, e ao
Excelentíssimo P. Sildo Cesar da Costa, Superior Provincial dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus,
Província Brasileira Meridional, pela carta dimissória para a ordenação presbiteral deste nosso querido irmão.
Saúdo Dom Adalberto, Bispo Diocesano de Rio do Sul, e expresso minha gratidão por permitir a
realização desta ordenação em sua Diocese.
Saúdo o pároco desta paróquia, Frei Ângelo, juntamente com toda a Fraternidade Franciscana que nos
acolhe, bem como a todos os irmãos presbíteros, diáconos, religiosos e religiosas, seminaristas e vocacionados.
Minha saudação ao pai do diácono Leonardo, o Sr. Antônio Jacomelli; sua mãe, Irene; sua irmã, Priscila; seu
cunhado, Diácono Leonardo; seus sobrinhos e demais familiares e amigos.
Queridos irmãos e irmãs presentes nesta celebração, e os que nos acompanham pelas redes sociais desta
paróquia: estamos celebrando na liturgia o 3º Domingo do Advento, tempo de espera, vigilância e conversão, como
preparação para o Natal que se aproxima.
Movemo-nos, porém, em sociedades de consumidores em série, preocupados só
com o agora e dominados pelos ritmos e ruídos da tecnologia, sem muita paciência para os processos que a
interioridade exige.
E hoje a Igreja repete a pergunta feita a Jesus pelos discípulos de João Batista:
“És tu aquele que há de vir?”
Assim perguntaram os discípulos daquele que dedicou toda a sua missão em preparar a vinda do Messias, os
discípulos daquele que
“amou e preparou a vinda do Senhor”
até a prisão e a morte. Sabemos que, quando seus discípulos fizeram essa pergunta a Jesus, João Batista já
estava na prisão, da qual nunca seria libertado.
E Jesus responde, referindo-se às suas obras e às suas palavras, e, também, à profecia messiânica de
Isaías: “Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e
aos pobres é anunciada a boa nova… Ide e contai a João o que vistes e ouvistes”.
A humanidade questiona Jesus. Pessoas de todo o mundo, de diferentes países e continentes, de
diferentes culturas e civilizações, questionam Jesus. Neste mundo, onde tanto se fez e continua a se fazer para
cercar Jesus com a conspiração do silêncio, para negar a sua existência e missão, ou para diminuí-las e
distorcê-las, a pergunta sobre Jesus sempre retorna. Ela retorna mesmo quando parece ter sido essencialmente
erradicada. Por isso, S. Pedro, em sua primeira carta, assim exortava os cristãos de sua comunidade:
“Estai sempre prontos a dar a razão da vossa esperança” (1Pd 3,15).
Neste Ano Jubilar do nascimento de Jesus, como Peregrinos de Esperança, recebemos o “Presente” deste
nosso irmão como resposta ao: “queira aproximar-se o que vai ser ordenado presbítero”. Dizia o saudoso Bispo
Emérito desta Diocese, Dom José, in memoriam: “Deus não escolhe os sábios; Deus escolhe as pessoas disponíveis”.
Querido irmão, que a tua disponibilidade nunca dispense Deus em nenhum momento da tua vida, vocação e
missão. Que a tua disponibilidade seja sempre um presente de amor, de um coração cativado por Jesus e, a exemplo
Dele, disponível e obediente para fazer a vontade do Pai. A disponibilidade ao Pai não foi para Jesus um fardo,
um peso, mas a decisão de amor maior. O sacerdócio a ti confiado concede-te esta graça de ser participante da
vida e da missão de Jesus.
Que a tua disponibilidade busque construir aquela unidade desejada por Jesus para os seus discípulos
e a sua Igreja, por Ele apresentada ao Pai em forma de oração.
Caríssimo irmão, que o lema escolhido por ti:
“O Amor de Cristo nos impele”
, retirado da 2ª Carta aos Coríntios 5, 14, possa sempre impelir o teu coração para encontrar no Coração de
Jesus a fonte da vida presbiteral e o sustento de tua entrega ao serviço do Reino de Deus.
“O sacerdote é o amor do Coração de Jesus”
, dizia o patrono dos sacerdotes, S. João Maria Vianney.
Para o Padre Dehon, o sacerdócio é uma participação no sacerdócio único e eterno de Cristo, sendo a
vocação para ser sacerdote e vítima, um reflexo do Coração de Jesus, que é fonte de amor e reparação pelas
faltas do mundo, exigindo uma vida de entrega total (amor, oração, sacrifício) e identificação com o sacrifício
eucarístico e a paixão de Cristo, buscando a santidade e a transformação para o Reino de Deus.
Caros irmãos, contemplemos o Coração Sacerdotal de Jesus. Estudemos os seus pensamentos, sintamos as
suas pulsações, meditemos nos seus amores. Ele vai nos dizer todas as virtudes sacerdotais, todos os deveres,
toda a vida, toda a perfeição do ser sacerdote, assim como Ele: pobre, casto e obediente.
Não foi por nada, querido irmão, que o saudoso Papa Francisco, em sua Carta Encíclica Dilexit Nos,
sobre o amor Humano e Divino do Coração de Jesus, assim nos exortou:
“Neste mundo líquido, é necessário voltar a falar do coração; indicar onde cada pessoa, de qualquer
classe e condição, faz a própria síntese; onde os seres concretos encontram a fonte e a raiz de todas as suas
outras potências, convicções, paixões e escolhas. Movemo-nos, porém, em sociedades de consumidores em série,
preocupados só com o agora e dominados pelos ritmos e ruídos da tecnologia, sem muita paciência para os
processos que a interioridade exige. Na sociedade atual, o ser humano ‘corre o perigo de se desorientar do
centro de si mesmo’. ‘O homem contemporâneo encontra-se com frequência transtornado, dividido, quase privado de
um princípio interior que crie unidade e harmonia no seu ser e no seu agir. Modelos de comportamento
infelizmente bastante difundidos, exaltam a sua dimensão racional-tecnológica, ou, ao contrário, a instintiva’.
Falta o coração.” (Dilexit Nos nº 9).
Diz a Carta que “o modo como nos ama é algo que Jesus não quis explicar-nos
exaustivamente. Mostra-o nos seus gestos. Observando-O, podemos descobrir como trata cada um de nós, mesmo que
nos custe perceber isso. Procuremos, pois, onde a nossa fé pode reconhecê-Lo: no Evangelho” (cf. nº 33).
O Evangelho diz que Jesus
“veio para os seus” (Jo 1,11)
. Os “seus” somos nós, pois não nos trata como algo estranho. Considera-nos como propriedade sua, que guarda
com cuidado, com afeto. Trata-nos como seus. Isto não significa que sejamos seus escravos; Ele próprio o nega:
“Não vos chamo servos” (Jo 15,15). O que Ele propõe é a pertença mútua dos amigos. Veio, superou todas as
distâncias, tornou-se próximo de nós, como as coisas mais simples e quotidianas da existência. Efetivamente, Ele
tem outro nome, que é “Emanuel” e significa “Deus conosco”, Deus próximo à nossa vida, vivendo entre nós.
O Filho de Deus encarnou e
“esvaziou-se a si mesmo, tomando a condição de servo”
(Fl 2,7) (cf. nº 34).
Querido irmão, viva o sacerdócio a ti confiado com estas três proximidades que o próprio Papa
Francisco indicou aos sacerdotes: Proximidade com Deus; Proximidade com o Bispo e o presbitério (com teu
superior Provincial e os coirmãos da Congregação); Proximidade com o povo. Esta proximidade “exige continuar o
estilo do Senhor”, feito “de compaixão e ternura, porque ele é capaz de caminhar não como um juiz, mas como o
Bom Samaritano”. Como aquele que “reconhece as feridas de seu povo” e os seus sacrifícios, e por ele se
compadece.
É decisivo lembrar que o Povo de Deus espera encontrar pastores no estilo de Jesus — e não “clérigos
de estado” ou “profissionais do sagrado”; pastores que conhecem a compaixão e a oportunidade; homens corajosos,
capazes de parar diante dos feridos e estender a mão; homens contemplativos que, em sua proximidade ao seu povo,
podem proclamar a força operante da Ressurreição de Cristo sobre as feridas do mundo.
Que Maria, Mãe de Jesus, com o título de Nossa Senhora de Guadalupe, que celebramos ontem, encontre
em teu coração a disposição e a disponibilidade para fazer tudo o que seu Filho disser. Assim seja. Amém.
Fonte: D. Onécimo Alberton, Bispo Auxiliar de Florianópolis
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