Memória Dehoniana 2025

No dia 26 de novembro a Congregação celebra a Memória dos Mártires Dehonianos que no decorrer de sua história derramaram seu sangue pelo Divino Coração.

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26.11.2025 - 16:00:00 | 11 minutos de leitura

Memória Dehoniana 2025

A Memória Dehoniana foi instituída em 2004 pelo então Superior Geral, P. José Ornelas Carvalho, SCJ, após recomendação do XXI Capítulo Geral.

A data escolhida, 26 de novembro, marca o martírio de Dom Joseph Albert Wittebols, SCJ, bispo de Wamba (Congo), morto nesse dia em 1964, junto com outros missionários dehonianos.

Um testemunho de fé, amor e oblação que ecoa em toda a Congregação.

"A Igreja sempre acreditou que os apóstolos e os mártires de Cristo, que pela efusão de seu sangue deram o supremo testemunho da fé e da caridade, estão conosco estreitamente unidos em Cristo, e venerou-os sempre com particular afeto, juntamente com a Bem-aventurada Virgem Maria e os santos Anjos e implorou o auxílio de sua intercessão" (LG 50).

Celebrar este dia é reconhecer o amor de Cristo vivido por irmãos que, fiéis ao carisma de Padre Dehon, não abandonaram o povo, nem a missão, nem os valores do Evangelho, nem a fé, mesmo diante da morte.

Padre Juan María de La Cruz, SCJ | Espanha 1936

P. Mariano Mendez, primogênito de 15 irmãos, nasceu em 1891. Ordenado sacerdote diocesano, ingressou no noviciado de Novelda em 1926, adotando o nome P. João Maria da Cruz. Após dificuldades como professor, dedicou-se a viagens para angariar fundos e vocações.

Durante a Guerra Civil Espanhola, ao presenciar a destruição de uma igreja em Valência, declarou ser sacerdote e foi preso. Na prisão manteve vida religiosa exemplar. Na noite de 23 para 24 de agosto de 1936, foi fuzilado com outros nove homens, tendo seus corpos lançados em vala comum. Seus restos foram trasladados em 1940 e ele foi beatificado por João Paulo II em 2001.

P. Franz Loh, SCJ | Alemanha 1941

A perseguição religiosa nazista suprimiu instituições católicas e atacou congregações por meio de processos e restrições financeiras. P. Franz Loh, provincial entre 1932-1936, tentou sustentar clandestinamente casas e missões, mas foi denunciado, perseguido e condenado a trabalhos forçados e multa. Refugiado em Luxemburgo, foi capturado pela Gestapo e morreu em prisão em 20 de março de 1940. Em 1961 todos os condenados foram reabilitados.

P. Wampach e P. Stoffels | Áustria 1942 

Missionários luxemburgueses em Paris, acolheram refugiados durante a invasão alemã e foram acusados de espionagem. Presos em 1941, passaram pelos campos de Buchenwald e Dachau. Mais tarde descobriu-se que foram enviados ao castelo de Hartheim, centro de eutanásia nazista com câmaras de gás. P. Stoffels morreu em 25.05.1942 e P. Wampach em 12.08.1942. Há um monumento em memória deles na Igreja de São José Operário.

P. Martino Capelli, SCJ | Itália 1944 

Desde jovem desejava o martírio. Enviado a comunidades próximas de Castiglione, destacou-se pela devoção e trabalho pastoral. Em 1944, com o avanço alemão, a casa religiosa foi evacuada. Em 29 de setembro, ao ajudar um ferido, P. Capelli e P. Comini foram presos, usados para transporte de munição e depois fuzilados com outros 44 prisioneiros. Antes de morrer, Capelli deu a bênção final, caindo com os braços em cruz, aos 32 anos. Seus corpos foram arrastados pelas águas do Reno.

P. Kristiaan Hubertus Muermans, SCJ | Alemanha 1945

Belga, professou em 1928 e foi ordenado em 1933. Atuou como professor e serviu no exército. Preso em 1941, foi libertado em 1943 e ingressou na resistência, produzindo imprensa clandestina e salvando jovens da Gestapo. Capturado diante dos alunos, foi levado para diversos campos até morrer em Dora em 16.02.1945, onde prisioneiros trabalhavam em túneis fabricando armas. Nada deixou escrito; sua vida tornou-se testemunho de entrega pela liberdade e pela fé.

11 confrades holandeses no campo de concentração japonês | Indonésia 1944-1945

Na ocupação japonesa de Sumatra, religiosos inicialmente puderam atuar, mas desde 1942 europeus passaram a ser internados em campos, com fome, doenças e quase nenhum remédio. Em 1943 muitos foram enviados para Muntok, onde 250 de 942 morreram de inanição. Ali faleceram onze dehonianos:

1 P. Heinrich Norbert van Oort,
2 P. Peter Matthias Cobbern,
3 P. Francis Hofstad,
4 P. Isidore Gabriel Mikkers,
5 P. Theodore Thomas Kappers,
6 P. Andrew Gebbing,
7 P. Peter Nicasius van Eyk,
8 P. Francis John v. Iersel,
9 P. Wilhelm Francisc Hoffmann,
10 Ir. Matthew Gerard Schulte,
11 Ir. Wilfrid Theodore van der Werf.

Em 1945 os sobreviventes foram transferidos e celebraram o fim da guerra com um Te Deum.

P. Hébérle e P. Sarron | Camarões 1959

Com o processo de independência dos Camarões, cresceu a hostilidade ao Ocidente. P. Héberlé, há mais de 25 anos na missão, apoiou a formação do clero local e decidiu retornar ao país mesmo sob risco. Em 1959, ataques atingiram missões: P. Musslin foi assassinado, e no mesmo ano P. Héberlé e P. Sarron foram mortos e decapitados junto com um padre e um catequista locais.

Vítimas no Congo | 1964

Após a independência do Congo, rebeliões violentas e perseguições anticristãs se intensificaram. Em Wamba, o bispo Wittebols e missionários foram torturados e executados. Entre 1961-1964, a Congregação perdeu 28 confrades, martirizados por permanecerem com o povo:

1 P. Henry van der Vegt,
2 P. Joseph Tegels,
3 P. Frances ten Bosch,
4 P. John de Vries,
5 P. Henry Hams,
6 P. Peter V. D. Biggelaar,
7 P. Johnenter,
8 P. Gerard Nieuwkamp,
9 Ir. Damian Brabers,
10 Ir. Joseph Vanderbeek,
11 Ir. Aloysius Paps,
12 P. Charles Bellinckx,
13 P. Leonard Janssen,
14 P. Cristian Vandael,
15 P. Clement Burnotte,
16 P. James Moreau,
17 Ir. Andrew Laureys,
18 P. Herman Bisschop,
19 P. Joseph Conrad,
20 P. John Trausch,
21 P. Amor Aubert,
22 P. Henricus Verberne,
23 P. Arnold Schouenberg,
24 Ir. Arnolf Schouenberg,
25 P. William Vranken,
26 P. Jerome Vandemoere,
27 D. Joseph Wittebols,
28 P. Bernardo Longo.

P. Bernardo Longo deixou diário expressando fé diante da morte e entrega total ao Sagrado Coração.

P. Paulo Punt | Brasil 1975

Holandês, chegou ao Brasil em 1936, ordenado em 1941. Atuou em diversas paróquias e, em 1968, iniciou nova missão entre pescadores de Tamandaré-PE, onde trabalhava também como pescador profissional para se fazer próximo da comunidade, promovendo organização e melhores condições de vida.

Oração pela Congregação

Senhor Jesus, nós vos agradecemos, porque destes a Padre Dehon a graça e a missão de enriquecer a Igreja com uma Congregação destinada a viver o vosso amor e a vossa oblação. Concedei-nos viver em solidariedade efetiva com os pobres, como profetas do amor, ministros da reconciliação, e servidores da comunhão, numa comunidade fraterna. Tornai-nos sempre mais atentos e generososem procurar a vontade do Pai. Reavivai em nós o espírito de Padre Dehon e concedei que, a seu exemplo, também nós sejamos disponíveis para anunciar a vossa misericórdia e trabalhar pelo vosso reino. Amém.

Num carisma marcado pela oblação, Padre Dehon Sonhava com uma vida de entrega total.

"O ideal da minha vida era ser missionário e mártir ... Sou missionário através dos que envio e mártir pelas cruzes que aceitei." (NQT 45/1, janeiro de 1925) 

"Um coração para amar, um corpo para sofrer, uma vontade para sacrificar e renunciar, para, em seu lugar, amar acima de tudo a vontade de Deus e procurar cumpri-la" (DE 1).

Vivat Cor Iesu!

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Fonte: Comunicação BRM
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