Os Leões na vida de Padre Dehon
Com a eleição do Sumo Potífice Papa Leão XIV, recordemos os Leões na vida de Dehon.
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28.05.2025 - 12:41:00 | 6 minutos de leitura

Após a eleição do Papa, no dia 8 de maio, e a escolha do Sumo Pontífice pelo nome de Leão XIV, voltamos
nosso olhar para a relação do nome Leão com a história do nosso Pai Fundador: Leão Dehon. Leão, em latim, Leo, é um
nome que significa força, coragem e fidelidade na fé.
Muitas pessoas, de nome Leão, participaram da
vida de Padre Dehon. E isso começa na escolha de seu nome de batismo: Leão Gustavo Dehon, ou, em francês,
Léon-Gustave Dehon, sendo depois alterado pelo próprio padre para João Leão Dehon (Jean Léon
Dehon), por causa de sua profissão religiosa.
"Minha mãe gostava do nome Leão. Ela
deu-me em recordação de um anjinho, meu irmão mais velho, morto aos 4 anos, alguns meses antes do meu
nascimento.
Minha mãe também gostava do nome Leão por causa do santo Papa Leão XII, o pontífice da sua infância".
Padre Dehon, ao escrever isso, demonstra sua gratidão por receber esse nome, e o carinho com que sua mãe o escolheu para ele.
Além disso, no decorrer de sua trajetória, Leão Dehon adotou, por seu padroeiro, São Leão
Magno, que fora Papa Leão I, e recebeu esse nome de “Leão Magno” mais tarde, em função de sua canonização. Ele foi
Papa entre 440 e 461. Padre Dehon nos diz isso em suas memórias:
"Adotei por padroeiros São Leão Magno, que eu suponho ser o mais
poderoso Santo entre os Santos
desse nome e Santo Agostinho, pois o nome de Gustavo não é nome de Santo ou é simplesmente uma derivação de
Agostinho. Como estou feliz por ter tão nobres e tão grandes padroeiros, dois dos maiores doutores da
Igreja! Espero que mais tarde eles me acolham como um amigo, pois tantas vezes lhes testemunhei amizade e
confiança".
Dehon admirava a forma como Papa Leão I unia a defesa da fé e a ação pastoral. Muitas vezes foi
visitá-lo e venerá-lo em seu túmulo em Roma. Esses elementos percebemos na vida de Padre Dehon e no carisma
dehoniano. Ele, com profunda espiritualidade, realizava muitas ações pastorais em prol do povo de sua época e
escreveu muitas obras espirituais como herança que quis deixar aos religiosos da Congregação dos Sacerdotes do
Coração de Jesus.
Outro Leão na vida de Padre Dehon foi seu amigo Leão Palustre. Enquanto discernia ainda sua vocação sacerdotal, Dehon, como um jovem sociável e fiel a seus amigos, durante suas viagen de exploração pelo mundo, construiu essa bonita amizade. Ele tornou-se, assim, seu companheiro de viagem e foi uma forte influência para Leão Dehon:
"Leão Palustre teve
uma grande influência sobre o rumo da minha vida durante vários anos, dando-me o gosto das viagens e o amor às
belas
artes".
Nos Conselhos Nacionais, ao lado dos operários, tomaram assento homens experimentados no domínio da
indústria, como Leão Harmel, um industrial católico francês, proprietário de uma fábrica de tecidos.
Leão Harmel
se tornou modelo e inspiração viva daquilo que Dehon buscava: unir fé profunda e ação transformadora nas estruturas
sociais. Muitos nomes da indústria também quiseram realizar o que Harmel estava fazendo em sua empresa. Ele tinha um
profundo respeito pelos operários de sua empresa, e procurava anunciar o Reino do Coração de Jesus. Fazia associação com
pessoas que sofriam, para que elas oferecessem seus sofrimentos ao Coração de Jesus. Procurava manter um clima profundamente
cristão no trabalho. Colocou celebrações em sua empresa e a carga horária da jornada de trabalho era reduzida, se comparada à de outras empresas naquele tempo. Harmel viveu bastante tempo fervorosamente a fé católica, não deixando de passar por muitos momentos difíceis, principalmente pela morte de sua esposa aos quarenta anos e por sua empresa,
que fora destruída na Primeira Guerra Mundial e, após, reconstruída. Padre Dehon, no fim da vida de Harmel, percebeu
que ele vivera santamente e considerou, pelo sofrimento que passara, que estava nos braços de Jesus no
céu.
Leão Dehon também teve uma relação próxima com o Papa Leão XIII. Em 1888, em uma audiência com o Papa, no dia 6 de setembro,
Padre Dehon recebeu uma missão que levou muito a sério: "Prega as minhas encíclicas".
Este Papa foi um grande
incentivador da doutrina social da Igreja. Escreveu a Rerum Novarum, primeira encíclica da doutrina social da
Igreja. Dehon viu nesta missão a confirmação de sua vocação para uma ação pastoral e social. Ele pregou
fervorosamente o conteúdo dessa encíclica, além de realizar muitas ações sociais enquanto vivia uma profunda
espiritualidade reparadora do Coração de Jesus.
E, por fim, no ano do centenário da morte de Leão Dehon, o Espírito Santo suscita na Igreja um novo Sumo
Pontífice com o nome de Leão XIV. Assim, remontamos, não à época de Leão XIII, mas a um novo tempo com
um nome que traz uma história de força, coragem e fidelidade na fé.
Um nome. Muitos significados. Vários "Leões"!
Mais que uma coincidência: um legado de fé viva, vigilante e comprometida com a transformação do
mundo à luz do Evangelho. Rezemos pelo nosso Santo Papa, Leão XIV, pedindo a intercessão do Venerável Padre Dehon.
Vivat Cor Iesu!
Fonte: Fr. Alexandre Johann e Fr. Djonatan Engelmann
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